Nuno Mamede Santos · Janeiro 2017 · Profundamente revisto em Novembro 2025 · Portugal
Introdução
A paisagem precisa de animais. Não como decoração, não como nostalgia, não como indústria. Precisa de animais como agentes ecológicos activos; como motores de ciclos que sustentam solo, água, vegetação e vida.
Durante milénios, os ecossistemas terrestres evoluíram com animais; não apesar deles. A sua remoção não resulta em conservação, mas numa perda progressiva de função ecológica. Bisões nas pradarias norte-americanas, gnus nas savanas africanas, auroques nas estepes europeias. Estes animais não eram passageiros na paisagem; eram arquitectos. O seu movimento criava perturbação rítmica: pastoreio intenso seguido de descanso prolongado. Pisoteio que quebrava crostas e incorporava matéria orgânica. Dejectos que introduziam nutrientes e, sobretudo, vida microbiana.
Não era poluição. Era infraestrutura ecológica.
Este manifesto defende uma ideia simples e empiricamente observável: sem animais, a paisagem perde capacidade; com animais bem integrados, a paisagem regenera.
1. O que acontece quando os animais desaparecem
Quando removemos herbívoros funcionais da paisagem, os ciclos abrandam. A biomassa acumula-se sem decomposição adequada. O solo perde actividade biológica. A vegetação estagna. A água escorre em vez de infiltrar. O carbono oxida em vez de se fixar.
O resultado não é conservação. É degradação lenta. É paisagem a perder capacidade.
Isto não é teoria. É visível em milhares de hectares de terrenos abandonados, de montanhas despovoadas, de serras que ardem todos os anos porque não há quem coma o mato. A ausência de herbivoria funcional não é neutra. É activamente destrutiva.
O abandono rural português das últimas décadas tornou isto legível a olho nu. Encostas que eram pastagens abertas há cinquenta anos são hoje matagais densos de cistáceas e silvado; belas à distância, ecologicamente frágeis, inflamáveis no Verão. Não por falta de chuva nem por excesso de calor. Por falta de animais.
2. Por novos sistemas com animais
Este manifesto não defende a pecuária industrial. Não defende confinamento, antibióticos, rações importadas, nem exportação de carne para mercados distantes. Isso não é regeneração; é extracção com animais.
Este manifesto defende outra coisa.
Gado em pastoreio regenerativo. Bovinos, ovinos, caprinos que se movem pela paisagem em padrões planeados, respeitando tempos de recuperação. Que melhoram o solo em vez de o compactar. Que constroem fertilidade em vez de a drenar. Raças rústicas adaptadas ao território; não máquinas de carne dependentes de inputs externos. A diferença entre um rebanho de Merino a rodar por uma encosta alentejana segundo um plano de pastoreio holístico e um lote de ovinos confinados num pavilhão industrial não é apenas de bem-estar animal; é de função ecológica.
Porcos em sistemas extensivos. Não confinados em pavilhões, mas em montados, florestas e sistemas agroflorestais. O porco é omnívoro; revolve solo, come raízes e bolota, dispersa sementes, controla pragas. Em sistemas bem desenhados, o porco é ferramenta de regeneração florestal. O porco preto alentejano no montado é exemplo vivo disto; um sistema que produz enquanto regenera, que mantém coberto arbóreo enquanto gera rendimento, que é simultaneamente pecuária e gestão de paisagem.
Aves em rotação com gado. Galinhas, patos, perus e pintadas a seguir os herbívoros. Esgravatam os dejectos, dispersam nutrientes, comem larvas e parasitas, quebram ciclos de doenças. São o serviço de saneamento natural da paisagem. Em sistemas bem geridos, as aves fecham ciclos que de outra forma ficariam incompletos.
Equídeos como gestores de paisagem. Cavalos e burros em pastoreio extensivo. Os cavalos comem gramíneas que outros animais rejeitam. Os burros são mais rústicos, adaptam-se a terrenos difíceis, e protegem rebanhos contra predadores. Ambos mantêm áreas abertas, reduzem combustível fino e criam mosaicos de vegetação que aumentam biodiversidade e resiliência ao fogo. Em Portugal, raças como o Garrano e o Lusitano de tipo primitivo são patrimónios vivos que podem ser simultaneamente conservados e utilizados como ferramentas de gestão territorial.
Fauna selvagem reintroduzida. Herbívoros nativos ou funcionalmente equivalentes, devolvidos a territórios onde foram exterminados. Veados, corços, gamos, cabras-montesas. Não em cercados decorativos; em paisagens abertas onde possam cumprir o seu papel ecológico. A herbivoria selvagem complementa a doméstica; cria padrões diferentes, ocupa nichos diferentes, distribui pressão de forma diferente.
3. Grandes estruturas territoriais e Zonas 5 funcionais
Uma paisagem funcional não se constrói apenas parcela a parcela. Precisa de continuidade ecológica em larga escala.
As chamadas Zonas 5 não são áreas intocáveis nem espaços abandonados. São grandes manchas territoriais estruturantes, onde a prioridade é a função ecológica de longo prazo. Incluem tipicamente florestas de cumeada e linhas de festo, galerias ripícolas e zonas húmidas, encostas de declive acentuado, e áreas de difícil mecanização ou elevado risco erosivo.
Estas zonas estabilizam ciclos hidrológicos, permitem movimento de fauna, amortecem extremos climáticos, reduzem risco de incêndio, e servem de matriz ecológica para o resto do território. Sem estas estruturas, a paisagem fragmenta-se e perde resiliência.
Num plano director biorregional, estas zonas são o esqueleto do sistema. Tudo o resto; as zonas produtivas, os acessos, os assentamentos humanos; organiza-se em relação a elas. Não porque a ecologia seja mais importante que a economia, mas porque sem o esqueleto o sistema colapsa e a economia colapsa com ele.
4. Rewilding como reintrodução de funções ecológicas
O rewilding tem vindo a ser explorado como abordagem possível em territórios extensos, pouco povoados ou em abandono prolongado. O seu contributo principal não é estético nem ideológico, mas funcional.
Iniciativas como a Rewilding Europe demonstram que, quando se reduz fragmentação, se permite herbivoria funcional, e se recupera continuidade territorial, certos processos ecológicos podem reactivar-se. Em Portugal, o projecto Rewilding Portugal no Vale do Côa é um exemplo concreto; veados, cavalos selvagens e outros herbívoros a criar perturbação rítmica numa paisagem que estava a oxidar lentamente.
Em Portugal, onde a paisagem é historicamente habitada e gerida, a ausência total de intervenção raramente é eficaz. O valor do rewilding reside sobretudo na reintrodução de funções perdidas, integradas com gestão humana, pastoreio extensivo e planeamento territorial adaptativo.
Rewilding não é abandono. É restituição de processos, quando e onde faz sentido.
5. Predadores e cascatas tróficas
Uma paisagem completa precisa de predadores. Lobos, linces, águias, abutres. Não como ameaça, mas como reguladores.
Predadores não apenas controlam números; regulam comportamentos. Criam o que a ecologia descreve como paisagem do medo; zonas onde os herbívoros não permanecem tempo suficiente para sobre-pastar. Isto redistribui a pressão de pastoreio, permite regeneração de vegetação ripícola, protege margens de rios e ribeiras.
As cascatas tróficas demonstram que actuar no topo da cadeia alimentar pode reorganizar todo o sistema. O caso de Yellowstone é amplamente documentado: a reintrodução de lobos em 1995 alterou comportamentos dos alces, o que levou à recuperação de vegetação ripícola, que estabilizou margens de rios, que alterou o caudal e a morfologia fluvial. Lobos a mudar rios; isto é ecologia de sistemas.
Na Península Ibérica, o lobo, o lince-ibérico, aves de rapina e necrófagos são aliados ecológicos, desde que enquadrados em modelos de coexistência, compensação e gestão territorial inteligente. O conflito entre lobo e pastorícia é real e não deve ser minimizado; mas é um conflito gerível, com ferramentas conhecidas: cães de guarda, currais nocturnos, compensações justas, presença humana. Aprender a coexistir com predadores é parte do desafio; e parte da maturidade ecológica de uma sociedade.
6. Peixes e sistemas aquáticos
A paisagem não é só terra. É também água. Ribeiras, rios, açudes, lagos, zonas húmidas. E a água precisa de animais tanto quanto a terra.
Peixes nativos; barbos, bogas, trutas; são indicadores de saúde aquática e parte das cadeias alimentares que sustentam aves, mamíferos e répteis. A sua conservação e reintrodução é parte da regeneração da paisagem. Um rio com populações saudáveis de peixe nativo é um rio que funciona; um rio sem eles é um rio degradado, independentemente do quanto pareça limpo à superfície.
Os castores, onde existem ou podem ser reintroduzidos, são engenheiros de ecossistemas. Constroem barragens que abrandam o fluxo da água, criam zonas húmidas, aumentam infiltração, elevam níveis freáticos, criam habitat para dezenas de outras espécies. Um castor faz o trabalho de uma máquina de movimentação de terras; mas fá-lo melhor, de graça, e para sempre. Em Portugal, a sua eventual reintrodução em bacias adequadas merece investigação séria.
A gestão de pesca pode ser ferramenta de conservação. Pesca regulada que mantém populações saudáveis, remove espécies invasoras, gera rendimento local e liga comunidades aos seus rios. O pescador que conhece o rio é um aliado da sua conservação; não um inimigo.
7. Polinizadores: os invisíveis essenciais
Nenhuma paisagem funciona sem polinizadores. Abelhas, borboletas, escaravelhos, moscas, morcegos. São os mensageiros entre plantas; sem eles, a reprodução colapsa.
A apicultura regenerativa integra abelhas na paisagem de forma que beneficia ambos. Colmeias distribuídas pelo território, corredores de flora melífera, redução de pesticidas, manutenção de sebes e bordaduras. As abelhas não são apenas produtoras de mel; são prestadoras de serviços ecossistémicos essenciais, sem os quais a produção agrícola da maior parte das culturas não é possível.
Os polinizadores selvagens são igualmente importantes e frequentemente mais eficazes do que as abelhas domésticas para certas plantas. Abelhas solitárias, abelhões, borboletas. Precisam de habitat: vegetação diversa, zonas não intervencionadas, flores durante todo o ano. Uma paisagem regenerativa é uma paisagem que alimenta polinizadores ao longo de todas as estações; não apenas quando as culturas florescem.
8. Cães de trabalho: ferramentas vivas
Os cães de gado são parte do sistema. Cães de pastor que conduzem rebanhos. Cães de guarda que protegem contra predadores. Não são acessórios; são ferramentas vivas de gestão que permitem formas de pastoreio impossíveis de outra forma.
Um bom cão de guarda permite que rebanhos pastem em zonas de lobo sem conflito. Um bom cão de pastor permite mover centenas de animais com uma pessoa só. São tecnologia ancestral, aperfeiçoada ao longo de milénios, que continua a funcionar melhor do que qualquer alternativa moderna para as funções que desempenha.
A criação e treino de cães de trabalho é um ofício em risco de extinção. Raças como o Cão de Castro Laboreiro, o Rafeiro do Alentejo e o Cão da Serra da Estrela são patrimónios vivos ligados a formas de pastoreio que também estão em risco. Manter este saber é parte da regeneração cultural que acompanha a regeneração ecológica.
9. Parques naturais com gestão activa
Este manifesto recusa a ideia de que conservação significa ausência humana. Reservas onde a natureza é deixada a oxidar não são conservação; são negligência institucionalizada.
Os parques naturais devem ser laboratórios de restauração. Territórios geridos para maximizar biodiversidade, ciclos de água e resiliência ao fogo. Com herbívoros domésticos e selvagens. Com predadores onde possível. Com gestão activa de vegetação. Com humanos como parte do sistema, não como visitantes externos.
Isto significa pastoreio em áreas protegidas. Significa fogo controlado onde apropriado. Significa caça de gestão para regular populações. Significa reintrodução de espécies. Significa monitorização, adaptação e aprendizagem contínua.
Um parque natural regenerativo não é um museu de paisagem congelada. É um sistema vivo em evolução, gerido para aumentar capacidade ecológica ao longo do tempo. A Serra da Estrela, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, o Douro Internacional; todos têm potencial para ser laboratórios vivos desta abordagem. O que falta não é território; é vontade de gerir activamente.
10. Caça como ferramenta de gestão ecológica
Onde predadores são inexistentes ou insuficientes, a caça de gestão pode ser necessária. Não como troféu, não como indústria de morte, não como desporto de elites. Mas como regulação de populações em territórios onde predadores naturais estão ausentes ou insuficientes.
Em muitas zonas de Portugal, javalis e veados atingem densidades que impedem regeneração florestal. Comem tudo o que nasce. Sem predadores suficientes para os controlar, a caça torna-se necessária; não opcional, necessária.
Mas não qualquer caça. Caça de gestão, baseada em censos e objectivos ecológicos. Caça que alimenta comunidades locais em vez de exportar carne para mercados distantes. Caça que envolve caçadores como gestores do território, não apenas como consumidores de animais. Em muitos contextos, carne de caça proveniente de sistemas abertos apresenta menor impacto ecológico do que carne de aviário industrial intensivo, além de reforçar economias locais e ligação ao território.
Os caçadores conhecem o terreno. Sabem onde estão os animais, quando se movem, o que comem. Este conhecimento é valioso e está a desaparecer com a mesma velocidade com que os caçadores envelhecem e os jovens não os substituem. Integrá-lo na gestão da paisagem é mais inteligente do que ignorá-lo.
11. A dimensão económica e a ligação à economia biorregional
Este manifesto não é apenas ecológico. É também económico. E a sua dimensão económica vai além do que normalmente se discute quando se fala de pecuária extensiva ou de gestão de fauna.
Sistemas com animais bem integrados criam emprego rural. Pastores, guardas de fauna, apicultores, gestores de caça, guias de natureza. Ofícios que fixam população em territórios que de outra forma se esvaziam. Criam produtos de valor diferenciado: carne de pasto, queijos artesanais, mel, cortiça, lã. Produtos que podem ser certificados e vendidos a preços justos a consumidores que compreendem o seu valor.
Mas há uma dimensão mais profunda que raramente é discutida: os animais são parte constitutiva do Índice de Saúde da Bacia.
Num modelo de economia biorregional; onde o valor da moeda local está ancorado no estado ecológico real do território; a presença e função dos animais na paisagem não é apenas ecológica. É económica no sentido mais directo. Um rebanho em pastoreio regenerativo que melhora o solo está a criar valor monetário verificável. Uma colmeia que aumenta a polinização e a diversidade florística está a melhorar os indicadores da bacia. Um sistema de pesca que mantém populações saudáveis de peixe nativo está a contribuir para a saúde aquática que o sistema de métricas avalia e recompensa.
Isto significa que um pastor que usa práticas regenerativas não está apenas a produzir carne. Está a gerar crédito local; reconhecimento económico da sua contribuição para os bens comuns da bacia. Um apicultor que mantém corredores de flora melífera não está apenas a produzir mel. Está a prestar serviços ecossistémicos que o sistema contabiliza. Um caçador que gere populações de javali para permitir regeneração florestal não está apenas a caçar. Está a gerir território de forma a que a bacia ganhe saúde e o sistema económico local ganhe capacidade.
Esta ligação entre função ecológica dos animais e valor económico biorregional é uma das mais importantes e menos exploradas do modelo que propomos. Transforma a pecuária extensiva, a apicultura, a gestão de fauna e a caça de gestão em actividades com duplo retorno: produto vendável para fora e crédito local gerado dentro. E cria um incentivo económico concreto para as práticas que a ecologia exige; não por convicção moral, mas por arquitectura do sistema.
A regeneração não é custo. É investimento. Um investimento que gera retorno ecológico, económico e social ao longo do tempo; e que, num sistema biorregional bem desenhado, esse retorno é mensurável, verificável e distribuído pela comunidade que o produziu.
12. A dimensão cultural
A regeneração também é cultural. Os sistemas que este manifesto defende dependem de saber.
Saber de pastores que lêem a paisagem e conhecem os seus animais. Saber de caçadores que compreendem populações e habitat. Saber de apicultores que conhecem as flores e as estações. Saber de guardas florestais que sabem onde o fogo pode passar e onde deve ser parado.
Este saber está a desaparecer. Os velhos morrem, os novos emigram, o conhecimento perde-se. Regenerar a paisagem sem regenerar a cultura que a gere é impossível; porque a paisagem não se regenera sozinha, precisa de pessoas que a conheçam e tomem decisões acertadas ao longo do tempo.
Por isso, este manifesto é também um apelo à transmissão. Aprender com quem sabe. Documentar práticas. Criar programas de formação. Valorizar ofícios rurais. Pagar salários dignos a quem cuida do território. Uma paisagem viva precisa de pessoas que a conheçam e que a amem. A técnica não substitui a relação.
13. Integração, não separação
O erro do século XX foi separar. Separar agricultura de ecologia. Separar animais de paisagem. Separar humanos de natureza. Criar zonas de produção intensiva e zonas de conservação defensiva; ambas a falhar por razões diferentes mas igualmente estruturais.
A regeneração propõe integração. Sistemas onde animais domésticos e selvagens coexistem. Onde gado, porcos, aves, equídeos, fauna brava, predadores, polinizadores e peixes ocupam nichos complementares. Onde a caça regula o que os predadores não conseguem regular. Onde os parques naturais são geridos activamente. Onde as pessoas são parte do sistema, não ameaça externa.
Integração não significa ausência de conflito. Haverá tensões entre predadores e produtores, entre caça e conservação, entre usos diferentes do território. A questão não é eliminar conflito; é criar estruturas para o gerir. Diálogo, compensações, zonamento, monitorização, adaptação. As mesmas ferramentas que qualquer sistema de governança territorial precisa; e que um modelo biorregional bem desenhado pode fornecer.
Conclusão: A paisagem como sistema vivo
A paisagem não é um museu. É um sistema vivo. Não uma colecção de recursos a explorar, nem um cenário a preservar intocado. Um sistema que precisa de fluxos, de ciclos, de perturbação e de descanso.
Os animais são parte essencial desse sistema. Herbívoros que convertem vegetação em fertilidade. Omnívoros que revolvem e dispersam. Predadores que regulam e redistribuem. Aves que saneiam e polinizam. Peixes que indicam e alimentam. Insectos que decompõem e constroem.
Sem animais, a paisagem oxida. Com animais; bem integrados, bem geridos, bem distribuídos; a paisagem ganha futuro.
Isto não é ideologia. É ecologia aplicada. É observação de como os sistemas funcionam quando funcionam bem. E é, também, uma proposta económica: sistemas com animais bem integrados numa bacia hidrográfica saudável produzem mais valor real, mais emprego duradouro e mais resiliência do que qualquer monocultura industrial consegue produzir; mesmo quando os números de curto prazo sugerem o contrário.
Um chamamento
A quem gere terras: integrem animais. Todos os tipos de animais que façam sentido no vosso contexto. Não como produto final, mas como ferramenta de regeneração.
A quem desenha políticas: criem enquadramentos que permitam pastoreio regenerativo, reintrodução de fauna, gestão activa de parques, caça de gestão, apicultura integrada. Parem de subsidiar sistemas que degradam e de proibir sistemas que regeneram.
A quem come: saibam de onde vem o que comem. Apoiem produtores que regeneram. Paguem o preço justo. Rejeitem sistemas que destroem.
A quem caça: assumam o papel de gestores, não apenas de consumidores. A caça pode ser parte da solução, se praticada com conhecimento, ética e responsabilidade.
A quem conserva: aceitem que conservar não é congelar. A paisagem precisa de gestão, de perturbação, de animais. Abandono não é protecção.
A quem habita o rural: fiquem. Aprendam. Ensinem. O território precisa de pessoas que o conheçam.
A todos: olhem para a paisagem. Vejam o que falta. Imaginem o que podia ser. E ajudem a construí-lo.
A paisagem precisa de animais. E nós precisamos de paisagens vivas.
Nuno Mamede Santos · Janeiro 2017 · Profundamente revisto em Novembro 2025 · Portugal