Uma reportagem do Portugal em Directo sobre o projecto Juntos Protegemos. Operação Montanha Verde, Novembro de 2017.
Há momentos em que uma ideia deixa de ser apenas uma intenção e ganha corpo no terreno. Foi isso que aconteceu no Algarve, quando cerca de 300 voluntários se reuniram para plantar árvores em terrenos municipais afectados pelos incêndios. Entre Loulé e Silves, foram colocadas na terra 10.600 árvores; só num dos locais, cinco hectares começaram a transformar-se através da plantação de 5.000 exemplares de espécies nativas.
A reportagem do Portugal em Directo acompanhou um desses dias.
O ambiente era simples e directo: cavar, adubar, plantar, ajustar a terra e avançar para a árvore seguinte. Gestos repetidos centenas de vezes, por pessoas de diferentes idades e proveniências, reunidas em torno de uma tarefa comum. Pinheiros-mansos, azinheiras, sobreiros e medronheiros foram algumas das espécies escolhidas.
Mas a intervenção não consistiu apenas em distribuir árvores pelo terreno.
Antes da plantação, houve um trabalho de planeamento ecológico da paisagem. A posição de cada linha foi definida em função da topografia e da dinâmica natural da água; as árvores foram plantadas ao longo das curvas de nível, articuladas com valas de infiltração em contorno destinadas a captar a água da chuva, reduzir a velocidade das escorrências e aumentar a infiltração no solo. O princípio é simples: abrandar, espalhar e infiltrar. Quando a chuva deixa de atravessar rapidamente o terreno e passa a permanecer mais tempo na paisagem, o solo ganha humidade; melhora a sua capacidade de regeneração; cria melhores condições para o desenvolvimento das plantas. Ao mesmo tempo, reduz-se a erosão e aumenta-se a resiliência do território perante futuras secas e incêndios.
Plantar árvores é importante. Compreender a água é essencial.
A reportagem mostrou também outra dimensão do projecto: a responsabilidade social das empresas e a força do voluntariado. O projecto Juntos Protegemos nasceu da ideia de que uma empresa não precisa de limitar a sua intervenção à actividade económica que desenvolve; pode também mobilizar pessoas, criar pontes com o território e transformar uma preocupação ambiental numa acção concreta. Alguns telefonemas, uma rede de pessoas disponíveis, um terreno onde fosse necessário agir; num único dia, aquilo que parecia demasiado ambicioso tornou-se possível.
Entre os voluntários estavam crianças e jovens da região. Alguns cresceram ligados à agricultura e à serra; outros estavam talvez a plantar uma árvore pela primeira vez. Mas todos compreenderam intuitivamente o significado do gesto: cuidar de uma vida que continuará a crescer muito depois de esse dia terminar.
O sonho era simples de formular: que um dia fosse possível reunir pessoas em todos os concelhos do Algarve e plantar, simultaneamente, milhares de árvores em cada um deles. Naquele dia, durante algumas horas, pareceu inteiramente alcançável.
O que não era alcançável; ao que parece; era a continuidade institucional. A Câmara Municipal de Loulé; que disponibilizou os terrenos para a plantação; tem vindo sucessivamente a deixar morrer as plantações. Anos de trabalho voluntário, de planeamento ecológico, de espécies nativas cuidadosamente escolhidas e posicionadas; entregues ao abandono. É uma contradição difícil de ignorar: mobilizar centenas de pessoas para plantar e depois não assegurar as condições mínimas para que essas plantas sobrevivam é desperdiçar não apenas árvores; é desperdiçar confiança.