Pensamentos soltos | Scattered Thoughts

No Coração de Angola | At the Heart of Angola


Já passa da meia-noite. Deveria estar a dormir. Dentro de três horas, estaremos a entrar no 4×4, acompanhados pelo nosso guia e topógrafo, para nos juntarmos à equipa da African Drone Solutions. Partimos de Luanda rumo a uma fazenda de 40.000 hectares, situada entre N’dalatando e Malanje — uma viagem que nos tomará cerca de seis horas.

Amanhã apresentamos o nosso plano director na Fazenda Cristalina, ancorado na metodologia de desenho da Terracrua. Estaremos vários dias no terreno a formar a equipa técnica local, entregando um tablet Android com GPS integrado que permite registo e localização em tempo real — fundamental para mapear elementos como charcas e caminhos. Esta tecnologia permitirá orientar as máquinas com rigor, assegurando uma implementação fiel ao plano. Iremos capacitar operadores e coordenadores para seguir o desenho com precisão. Concluída esta fase, os responsáveis de cada área poderão utilizar sistemas GIS baseados no nosso modelo para recolher e adicionar dados, garantindo que o plano se torna referência viva e dinâmica para o desenvolvimento futuro da fazenda. A estrutura ecológica, os acessos e a zonagem permitirão saber, por muitos anos, onde se pode — e onde não se deve — intervir.

Entretanto, o meu pai — parceiro de vida e “âncora” — e o Miguel Clemente — colega e amigo incondicional — dormem a poucos quartos de distância, à esquerda e à direita do meu corredor. A insónia, velha conhecida, visita-me quando o pensamento não abranda. Hoje, interroga-se: qual é, afinal, a minha missão aqui — agora e no tempo que vem?

Regressar ciclicamente a este país extraordinário, em missão regenerativa, tem um impacto profundo. A cada viagem, a ligação a Angola fortalece-se. E com ela, a convicção inabalável de que um bom plano, um quadro sólido e uma estratégia económica adequada ao tempo e ao território podem verdadeiramente mudar o rumo das coisas.

Durante a estadia, tenho reflectido intensamente sobre os desafios e as soluções possíveis. A complexidade é imensa — degradação ecológica, pressões sociais, dinâmicas económicas instáveis. Ainda assim, acredito com firmeza que o design regenerativo pode oferecer uma base estruturante para o futuro do país.

Vamos ver o que acontece. Estou pronto.


ENGLISH

It’s past midnight. I should be sleeping. In just three hours, we’ll board the 4×4 with our guide and topographer to join the African Drone Solutions team. From Luanda, we’ll head to a 40,000-hectare farm located between N’dalatando and Malanje — a six-hour journey through the Angolan heartland.

Tomorrow, we deliver our master plan at Fazenda Cristalina, designed using Terracrua’s regenerative framework. We’ll spend several days on-site, training the technical team and equipping them with an Android tablet featuring real-time GPS — essential for mapping key elements such as ponds and roads. This technology will guide heavy machinery with precision, ensuring faithful implementation. We’ll train operators and coordinators to follow the plan meticulously. Once complete, team leaders will be able to use GIS systems based on our design to gather and input data, making the plan a living guide for the farm’s future. The ecological structure, zoning and access layout will clearly indicate where activity should — and should not — occur for years to come.

Meanwhile, my father — my steadfast partner and anchor — and Miguel Clemente — my colleague and unconditional friend — are sleeping just a few rooms away, to the left and right of my hallway. Insomnia often finds me when thoughts race. Tonight, it asks: what exactly is my mission here — now and in the future?

Returning regularly to this extraordinary country on regenerative missions has had a profound impact. Each visit deepens my connection to Angola. And with it, the unshakeable belief that a sound plan, a coherent framework and a territory-aligned economic strategy can truly shift the course of things.

Throughout this stay, I’ve been reflecting deeply on the challenges and solutions ahead. The issues are complex — from environmental degradation to social and economic pressures. Yet I firmly believe regenerative design offers a solid foundation for Angola’s future.

Let’s see what unfolds. I’m ready.


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